Ricardo Arantes Dubeux : Uma vida em movimento, entre o mar, a engenharia e a aventura
Fonte: Equipe www.acaoeventura.com.br
De uma infância iniciada sobre um barco em Recife a uma trajetória internacional que reúne engenharia, esporte, comunicação, empreendedorismo e ação social, Ricardo Arantes Dubeux fez do movimento uma forma de viver.
Há pessoas que escolhem uma profissão. Outras escolhem um caminho. Ricardo Arantes Dubeux parece ter escolhido o movimento.
Recifense, engenheiro civil, velejador, empreendedor, comunicador e apaixonado pelos esportes de ação e aventura, construiu uma trajetória pouco convencional, na qual diferentes mundos se encontram: a precisão da engenharia, a liberdade do mar, a comunicação, a gestão, a fé e o desejo permanente de transformar experiências em oportunidades de desenvolvimento.
Sua história com a vela começou quando tinha apenas cinco anos. Foi no mar que encontrou uma das grandes referências de sua vida. A vela lhe ensinou cedo que não basta conhecer o vento: é preciso saber interpretá-lo, ajustar as velas, tomar decisões e, sobretudo, compreender que nem sempre é possível controlar as condições ao redor.
Talvez por isso sua trajetória profissional tenha sido tão marcada pela capacidade de adaptação.
A precisão da engenharia
Filho do engenheiro civil Mario José Dubeux Júnior e da advogada Carmem Deluse Arantes Dubeux, ambos falecidos, Ricardo iniciou sua vida profissional aos 18 anos, como estagiário da Ecoplan Engenharia Ltda.
Na Universidade Católica de Pernambuco, formou-se em Engenharia Civil em 1991, destacando-se academicamente com o segundo lugar geral entre os alunos de todas as engenharias da instituição.
De volta à Ecoplan, passou de Engenheiro Residente a Gerente Regional Nordeste, assumindo responsabilidades em planejamento, engenharia e construção, propostas técnicas, estudos e projetos, área comercial e prospecção de novos negócios.
Participou de importantes contratos junto a instituições como COMPESA, CHESF, DER, CODEVASF, DNOCS e CBTU, acumulando experiência em projetos de diferentes dimensões e complexidades.
Mais tarde, transformou essa experiência em empreendedorismo ao fundar a Basemax Engenharia Ltda.
Sob sua condução, a empresa participou de obras que fazem parte da paisagem urbana e empresarial de Pernambuco, incluindo concessionárias Renault, instalações da Fiat Via Sul, o primeiro posto de gás natural do Nordeste para a Texaco, a recuperação de imóveis históricos na Rua do Bom Jesus, no Recife Antigo, além de projetos industriais, residenciais e de infraestrutura urbana.
A engenharia lhe deu método. O mar, entretanto, continuou dando direção.
Quando o esporte virou profissão
Muito antes de o conceito de marketing esportivo ganhar a dimensão que possui hoje, Ricardo já percebia que o esporte poderia ser também uma poderosa ferramenta de comunicação.
Entre 1984 e 1990, idealizou, produziu e apresentou o Festival Sol e Mar, na Praia de Boa Viagem. O evento chegou a reunir aproximadamente cinco mil pessoas por edição e ajudou a aproximar a vela de um público muito maior.
Depois, participou dos festivais Hollywood Vela, percorrendo diferentes regiões do país como comentarista técnico.
Entre 1999 e 2003, esteve à frente da apresentação da tradicional Regata Recife–Fernando de Noronha (REFENO), no Marco Zero do Recife.
Sua atuação institucional também ganhou relevância. No Cabanga Iate Clube de Pernambuco, exerceu a Diretoria de Iatismo, Marketing e Eventos e tornou-se, eleito por aclamação, o mais jovem Vice-Comodoro da história do clube.
Como atleta, colecionou resultados expressivos: foi hexacampeão Pernambucano de Hobie Cat 14, campeão do Ranking Brasileiro da classe, vice-campeão brasileiro de Hobie Cat 14 e Supercat 17, vice-campeão Sul-Brasileiro de Hobie Cat 16 e terceiro colocado no Campeonato Mundial de Hobie Cat 14.
Mas reduzir sua relação com o esporte aos troféus seria contar apenas parte da história.
Corrida de rua, mountain bike, rapel, escalada, paraquedismo, trekking, kitesurf, windsurf, triathlon, corrida de aventura e mergulho também fizeram parte de sua jornada.
Para Ricardo, aventura nunca foi apenas adrenalina. É também conhecimento, superação e descoberta.
A voz que levou a aventura para o rádio
O espírito aventureiro encontrou na comunicação outra forma de expressão.
Entre 2003 e 2006, Ricardo produziu e apresentou o programa Transamérica Ação e Aventura, transmitido pelas rádios Transamérica FM Recife e João Pessoa, Rádio 98 FM de Natal e Rádio Cidade FM Recife e Fortaleza, chegando à liderança de audiência em seu horário.
Na sequência, apresentou o Hits Ação e Aventura, na Rádio Hits FM de Jaboatão dos Guararapes.
A experiência diante dos microfones consolidou uma vocação: contar histórias, aproximar pessoas e mostrar que o universo dos esportes de ação e aventura vai muito além da competição.
Essa trajetória desembocaria no Ação & Aventura, portal que reúne esporte, natureza, viagens, sustentabilidade, cultura e personagens que carregam consigo o desejo de explorar novos horizontes.
Do Recife para o mundo
A vela também abriu portas para uma dimensão internacional.
Entre 1970 e 2026, Ricardo esteve envolvido em competições internacionais de vela em diferentes continentes, representando o Brasil na Europa, América do Sul, América do Norte, Canadá, Ásia, África e Emirados Árabes.
Em 2008, recebeu o Green Card dos Estados Unidos na categoria E11, ou seja, Alien of Extraordinary Ability, Estrangeiro com Habilidades Extraordinárias, como um reconhecimento destinado a profissionais e atletas com trajetória de destaque e aclamação internacional.
Desde 2009, passou a viver parcialmente nos Estados Unidos, especialmente entre Miami, Nova York e New Jersey, mantendo relações com profissionais, empresas e entidades ligadas aos esportes náuticos e de aventura.
A experiência internacional ampliou ainda mais sua visão sobre o esporte e suas possibilidades.
O esporte como instrumento de transformação
Existe, porém, uma dimensão de sua história que não aparece nos pódios.
Paralelamente à carreira, Ricardo sempre manteve envolvimento com iniciativas sociais e com ações da Igreja Católica em comunidades de Jaboatão dos Guararapes, como Dom Hélder Câmara, Prazeres e Muribeca.
Sua dedicação à vida comunitária levou, em 2019, à escolha para integrar o curso de Diácono da Arquidiocese de Olinda e Recife, por indicação do Padre Francisco Mota.
Também encontrou na vela adaptada uma forma de colocar o esporte a serviço de pessoas com deficiência, participando voluntariamente de iniciativas voltadas à inclusão e ao desenvolvimento humano.
Nesse contexto, o barco deixa de ser apenas uma embarcação.
Torna-se espaço de liberdade.
No mar, limitações físicas podem assumir outra dimensão. O vento, a água, o equilíbrio e o trabalho em equipe passam a oferecer ao velejador uma experiência de autonomia e superação.
É uma perspectiva que ajuda a explicar por que, depois de tantas décadas, Ricardo continua enxergando o esporte não apenas como competição, mas como ferramenta de transformação.
O horizonte continua aberto
A história de Ricardo Arantes Dubeux não se encaixa facilmente em uma única definição.
Engenheiro por formação, construtor por profissão, velejador por paixão, comunicador por vocação e empreendedor por iniciativa, ele percorreu diferentes caminhos sem abandonar aquele que encontrou ainda criança: o mar.
Sua trajetória também revela uma característica comum a quem vive de verdade o espírito de aventura: a disposição para começar novamente.
Novos projetos, novas viagens, novos desafios, novas histórias.
Aos cinco anos, começou a velejar.
Décadas depois, continua olhando para o horizonte.
E talvez seja justamente essa a imagem que melhor sintetiza sua vida: um homem que aprendeu cedo que o mar nunca é exatamente o mesmo — e que viver também significa saber ajustar as velas para cada novo vento…
Materias recentes:
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https://www.webventure.com.br/ricardo-dubeux-a-arte-de-velejar/
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https://www.fernandomachado.blog.br/porta-retratos-1910/





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