Depois de cinco horas velejando pelo Rio São Francisco, ainda havia pela frente muitas horas de estrada, desmontagem dos barcos, uma travessia de balsa e um banho inesquecível nas águas do Velho Chico. No fim, ficaram o cansaço, a gratidão e uma nova amizade.

A aventura de Ricardo Dubeux e Chiquinho começou quando os dois terminaram a velejada na praia de Barra de Ipanema. Depois de subir os barcos para a areia e desmontar as velas, por volta das 17h, eles partiram em direção ao Prive Porto Bello, onde estavam seus carros e carretas.

Foram aproximadamente quatro horas de estrada, mas a viagem estava longe de ser apenas um deslocamento. Em Penedo, os dois fizeram uma parada para uma boa resenha e aproveitaram para comer um delicioso espetinho com macaxeira enquanto aguardavam a balsa que faria a travessia para Sergipe.

Já a bordo da balsa, veio outro momento especial. Ricardo e Chiquinho aproveitaram a travessia para sentir a brisa da noite e contemplar o Rio São Francisco. Estavam novamente sobre o Velho Chico, agora próximos à sua foz, cerca de 200 quilômetros de onde haviam deixado os barcos.

Ao chegar ao Prive Porto Bello, praticamente não houve tempo para descanso. Ricardo apenas lavou o rosto e, junto com Chiquinho, iniciou mais uma etapa da aventura.

Um Optimist e um SUP foram amarrados na carreta de Chiquinho, e os dois pegaram novamente a estrada em direção a Barra de Ipanema.

Era uma verdadeira prova de resistência: cinco horas de velejada, mais quatro horas de direção e ainda muitos quilômetros pela frente.

A dupla seguiu até Propriá, atravessou a ponte em direção a Alagoas e continuou viagem até Barra de Ipanema. A chegada aconteceu por volta das 2h da madrugada do dia 7 de setembro.

Mas o trabalho ainda não havia terminado.

Era preciso baixar o mastro e preparar os barcos para serem colocados nas carretas. Foi nesse momento que surgiu mais um personagem importante daquela madrugada: o pescador Sr. Orlando.

Com muita simplicidade e disposição, o pescador ajudou Ricardo e Chiquinho a colocar os barcos nas carretas. Os três trabalharam juntos até aproximadamente 3h15, quando finalmente tudo estava devidamente amarrado.

Depois de tantas horas de velejada, estrada e trabalho, Ricardo e Chiquinho estavam extremamente suados e cansados.

Foi então que tiveram uma ideia que transformaria aquela madrugada em uma das lembranças mais marcantes da viagem.

Um banho no Rio São Francisco.

Os dois entraram nas águas do Velho Chico e tiveram um banho delicioso e revigorante. Aquele momento simples foi suficiente para renovar as energias e deixar a dupla novamente “acesa” para continuar a viagem de volta para casa.

Depois, Ricardo e Chiquinho seguiram juntos até um posto, onde seus caminhos finalmente se dividiram.

Ricardo continuou sua viagem até Recife, chegando em casa às 10h20 da manhã do dia 7 de setembro. Apesar do cansaço, chegou feliz e, acima de tudo, agradecido a Deus por tudo ter dado certo.

Chiquinho ainda fez uma parada em Paulo Afonso e, posteriormente, seguiu com a família rumo a Aracati.

No final, todos chegaram bem aos seus destinos.

Uma aventura dentro da aventura

A viagem de Ricardo e Chiquinho acabou se tornando uma verdadeira aventura à parte dentro do 10º Rally do Velho Chico.

Foram horas de velejada, quilômetros de estrada, travessia de balsa, desmontagem e transporte dos equipamentos, trabalho durante a madrugada e, como não poderia faltar em uma boa história do Velho Chico, um banho inesperado nas águas do rio.

Mas, acima de tudo, ficou a amizade.

O Rally proporcionou a Ricardo a oportunidade de conhecer melhor Chiquinho, um ser humano especial, e compartilhar com ele momentos que certamente ficarão guardados na memória.

Porque o Rally do Velho Chico vai muito além da vela, da bicicleta e dos quilômetros percorridos.

Ele está nas histórias vividas pelo caminho, nas resenhas, na solidariedade, na parceria e nas amizades que surgem quando pessoas diferentes se encontram movidas pelo mesmo espírito de aventura.

 

E a história de Ricardo e Chiquinho é exatamente assim: uma aventura que começou na água, continuou na estrada, atravessou o São Francisco durante a noite e terminou com a certeza de que uma grande amizade havia começado.

Uma daquelas histórias que o tempo passa, mas o Velho Chico não deixa esquecer.